sexta-feira, 8 de abril de 2011

As três dimensões do discurso: sintaxe, semântica, pragmática

As três dimensões do discurso: sintaxe, semântica, pragmática

Sintaxe

A complexidade da linguagem humana não se reduz às regras lógicas, pois o discurso pode ser analisado segundo diferentes perspectivas.

Podemos analisá-lo do ponto de vista da sua estrutura. É a sintaxe que analisa as relações entre os signos independentemente do que eles designam.

Um conjunto de letras postas ao acaso não é uma palavra; «lvroi» não é uma palavra. Para que se torne numa palavra do nosso código linguístico, a língua portuguesa, as letras terão de ser estruturadas segundo um certa ordem: «livro». Do mesmo modo, uma série de palavras só se constitui como uma frase quando as palavras se apresentam relacionadas de um certo modo desempenhando cada uma delas diferentes funções. As seguintes palavras « bom ler ando livro a um» só se constitui como uma frase se as palavras se apresentarem na ordem certa «ando a ler um bom livro». Também o discurso exige uma sequência de enunciados relacionados entre si de acordo com uma determinada ordem (sequencial, causal...).

Esta articulação obedece a regras; estabelecer e analisar tais regras é o objecto da sintaxe. Assim chamamos sintaxe a esta análise das regras que regem o encadeamento dos signos no interior dos diversos actos de fala ou de discurso.

A sintaxe de uma língua, por exemplo, estabelece as regras que definem:

• o lugar das palavras para a construção das frases;

• as relações de articulação entre as frases de modo a garantir a coerência do discurso.

A sintaxe lógica analisa os elementos formais que dão estrutura ou sequência aos enunciados ou proposições (uma proposição é, como veremos mais adiante, a tradução de um juízo numa linguagem; um juízo é uma operação lógica de ligação entre conceitos).
A sintaxe lógica analisa os elementos formais que dão estrutura ou sequência aos enunciados ou proposições (uma proposição é, como veremos mais adiante, a tradução de um juízo numa linguagem; um juízo é uma operação lógica de ligação entre conceitos).

A conexão sintáctica entre os enunciados é assegurada por uma série de termos de ligação, sem os quais não poderíamos relacionar diferentes proposições mas apenas construir proposições isoladas do tipo «o livro é bom» ou «o livro aborda o tema da linguagem», a que os lógicos chamam proposições atómicas por ligarem átomos linguísticos.

Para podermos relacioná-las e construir um discurso é necessário usar determinados signos do tipo «e», «ou», «se... então» que conferem ao discurso a sua estrutura. No exemplo citado, «o livro é bom e aborda o tema da linguagem». Podemos, então, concluir que a sintaxe lógica é o estudo das relações entre os signos e as proposições, abstraindo do seu significado, sendo, por isso, a teoria da construção de toda a linguagem lógica, pois trata da determinação das regras que permitem combinar os símbolos elementares de modo a construir proposições correctas; analisando os problemas postos pela definição das variáveis lógicas e respectivas relações, aborda o discurso apenas do ponto de vista da sua estrutura, isto é, da sua forma, para garantir a sua validade formal.

Vejamos um exemplo:

Nas proposições «Maria e João foram ao cinema» e «O livro e a caneta são azuis», a partícula «e» é que dá a forma, pois é o elemento de ligação (um conector ou functor) que marca a relação entre as variáveis, independentemente de serem Maria, João, livro ou caneta.
Nas proposições «Maria e João foram ao cinema» e «O livro e a caneta são azuis», a partícula «e» é que dá a forma, pois é o elemento de ligação (um conector ou functor) que marca a relação entre as variáveis, independentemente de serem Maria, João, livro ou caneta.

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