terça-feira, 19 de abril de 2011

Coerência textual-Material de concurso

Coerência textual-Material de concurso
Coerência é a ligação em conjunto dos elementos formativos de um texto. É o instrumento que o autor vai usar para conseguir dar um sentido completo a ele.

Em uma redação, para que a coerência ocorra, as idéias devem se completar. Uma deve ser a continuação da outra. Caso não ocorra uma concatenação de idéias entre as frases, elas acabarão por se contradizerem ou por quebrarem uma linha de raciocínio. Quando isso acontece, dizemos que houve um quebra de coerência textual.

A coerência é um resultado da não contradição entre as partes do texto e do texto com relação ao mundo. Ela é também auxiliada pela coesão textual, isto é, a compreensão de um texto é melhor capturada com o auxílio de conectivos, preposições, etc.

A incoerência de um texto pode ser observada por um falante da língua, mas não é tão fácil identificá-la quando estamos escrevendo.

Pode-se dizer que um texto é incoerente quando o entendimento deste é comprometido. Na maioria das vezes esta pessoa está certa ao fazer esta afirmação, mas não podemos achar que as dificuldades de organização das idéias se resumem à coerência ou a coesão. É certo que elas facilitam bastante esse processo, mas não são suficientes para resolver todos os problemas.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Elipse e Zeugma- Figuras de Linguagem

Elipse é a omissão de um termo ou de uma oração inteira, sendo que essa omissão geralmente fica subentendida pelo contexto.

Observe: Como estávamos com pressa, preferi não entrar. Nessa frase, houve a omissão dos pronomes nós e eu, sujeitos, respectivamente, de “estávamos” e “preferi”. Essa omissão não dificulta a compreensão da frase, já que os verbos flexionados indicam as pessoas a que se referem

Veja outros exemplos:

Sobre a mesa, apenas um copo d' água e uma maçã
Neste exemplo, há a omissão do verbo haver. Completa, a oração ficaria: "Sobre a mesa, havia apenas um copo d' água e uma maçã" . A elipse do verbo em nada altera o conteúdo da oração, que se torna por sua vez mais sintética e econômica.
"Veio sem pinturas, um vestido leve, sandália coloridas." (Rubem Braga)

Tão bom se ela estivesse viva me ver assim.”(Antônio Olavo Pereira)
(Tão bom seria se ela estivesse viva para me ver assim.)

ZEUGMA

Trata-se de um caso especial de elipse, quando o termo omitido já tiver sido expresso anteriormente.
Observe:

Os rapazes entraram com tamanha algazarra que quebraram o vidro da porta.

Vamos jogar, só nós dois? Você chuta para mim e eu para você .
( = ... e eu chuto para você.)

No segundo exemplo, o verbo omitido deve, se expresso, concordar com o sujeito eu. Era "chuta", na 3º pessoa do singular; passa a ser “chuto” , na ª pessoa do singular. Em geral, os zeugmas são uma elipse e um termo que é uma forma flexionada de um termo que já apareceu.

“Foi saqueada a vila, e assassinados os partidários dos Filipes.” (Camilo Castelo Branco)
Se formos expressar o que foi omitido, teremos que utilizar a forma verbal “foram” – “e foram assassinados os partidários do rei" .

Precisarei de vários ajudantes., De um que seja capaz de fazer a instalação elétrica e de outro para parte hidráulica pelo menos.
Houve a omissão do termo "ajudante" - "De u (ajudante) que seja capaz .. e de outro (ajudante) para a parte hidráulica .

sábado, 16 de abril de 2011

Mesmo não é sinônimo de igual

Para esclarecer melhor as dúvidas de muitos leitores sobre a relação de sinonímia entre os termos mesmo e igual, tratado na coluna anterior, apresento novamente esse tema com novos exemplos.

Ainda que pareçam em seus respectivos significados, mesmo e igual não são sinônimos, ou melhor, são falsos sinônimos. Vejamos:

Mesmo = idêntico, um só.

Igual = semelhante a outro.

No exemplo da matéria anterior, a Linguaruda Portuguesa dizia que sua vizinha havia arrumado um marido que ganha o mesmo que seu marido. Nesse caso, o salário dos dois terá que ser dividido, pois é um salário apenas (ganha o mesmo). Caso a intenção dela seja a de comparar os salários, o amante terá que ganhar igual (salário semelhante) ao marido da vizinha. Apesar de compreensível na fala, a norma culta pede essa distinção.

João ganha R$ 1.000,00, Pedro ganha igual. (Cada um recebe R$ 1.000,00, ou seja, salário semelhante).

João ganha R$ 1.000,00, Pedro ganha o mesmo. (Cada um recebe R$ 500,00, ou seja, salário repartido).

Para reforçar o entendimento, veja na ilustração a fala da mãe da nossa conhecida Linguaruda Portuguesa:

- A orelhinha e o narizinho são “as mesmas” que a do papai. A linguinha é
“a mesma” que a da mamãe.

Nota-se que prevalece o sentido de semelhança, ou seja, o sentido de igual, o que conduz o usuário a deduzir que sejam palavras sinônimas. Porém a escrita formal pedirá o uso de igual, pois cada um tem sua própria orelha, seu próprio nariz e sua própria língua.

Agora veja a fala do irmão da Linguaruda:

- Tomara que a inteligência seja igual à minha. Afinal, nosso pai é o mesmo.

Nela, igual e mesmo são empregados de acordo com a norma culta.

- Tomara que a inteligência seja semelhante à minha. Afinal, nosso pai é um só.


Vejamos agora outros exemplos de emprego correto do termo mesmo.

* Estuda na mesma escola que eu.
* Vieram do mesmo país.
* Traído pelo mesmo amigo que o salvou.
* O presidente mesmo veio demiti-lo

Tua x sua

Amigo leitor, espero hoje tirar bem as suas dúvidas (ou seria as tuas dúvidas?). Ainda mais sobre esse tema que é um campeão de pedidos. Vamos lá:
* Teu/tua - pronome possessivo que se relaciona à pessoa com quem se fala (2.ª pessoa do singular).
- Mário.
- Oi!
- João saiu com a tua esposa e bateu o teu carro.
João saiu com a esposa do Mário e bateu o carro também do Mário. (tua/teu se referem ao Mário).
* Seu/sua - pronome possessivo que se relaciona à pessoa de quem se fala (terceira pessoa do singular).
- Mário.
- Oi!
- João saiu com sua esposa e bateu o seu carro.
João saiu com a própria esposa e bateu o próprio carro. (sua/seu se referem ao João).
ATENÇÃO: No Brasil é comum o emprego do pronome de tratamento você, no lugar de tu, o que obriga a combinação com seu/sua. Por isso que a atendente da ilustração foi corrigida. Ela deveria ter empregado sua no lugar de tua, pois se referiu ao Manuel como você. Caso se referisse como tu, seria necessário concordar os verbos também.
Vejamos as duas opções:
Olá Manuel, você perdeu uma nota de cem reais. Venha pegá-la, pois é todinha sua.
Olá Manuel, tu perdeste uma nota de cem reais. Vem pegá-la, pois é todinha tua.
Quem saiu perdendo na história foi o Manuel que, por ficar com raiva e não se fazer entender, acabou perdendo cem reais.
Amigo leitor, cuidado com as ambiguidades, se o pronome você estiver explícito, empregue o seu/sua. Além das ambiguidades, a combinação indevida pode causar briga. Experimente dizer a um amigo que fulano saiu com sua mulher e verá. Mas antes, esteja “armado” com essa coluna (ou seria esta coluna?)

O melhor x o mais bem

O melhor x o mais bem
Amigo leitor, nem sempre basta ser o melhor para se vencer, é preciso estar bem preparado, e, de preferência, ser o mais bem preparado. É por isso que muitos jogadores que estão entre os melhores não são convocados para a seleção.
Como nossa disputa aqui é outra, vamos aprender o português para nos comunicarmos melhor e estarmos cada vez mais bem preparados para as situações que exijam seu domínio.
* A norma nos sugere que devemos sempre empregar o termo melhor em situações de comparação.
Apesar de jogar bem vôlei, joga melhor futebol.
Maria é melhor em matemática que em português.
As vendas esse ano foram melhores que as do ano passado.
* Quando há a presença do verbo no particípio o emprego deve ser de mais bem.
Ronaldo é mais bem pago que Robinho.
Com arquiteto, a casa fica mais bem construída.
É um erro comum se trocar mais bem por melhor, mas quando dizemos que alguém é o melhor preparado estamos comparando-o com outros que podem não estar preparados. Quando dizemos que ele é o mais bem preparado, estamos comparando-o com outros bem preparados, também. É uma questão de semântica.
ATENÇÃO: Cuidado para não cometer o duplo erro de trocar mais bem por melhor em situações em que se exija o emprego do hífen (bem-acabado, bem-aceito, bem-acostumado, bem-adaptado, bem-amado, bem-apresentado, bem-arrumado, bem-aventurado, bem-casado, bem-humorado, bem-ensinado, bem-merecido, bem-parecido, bem-sucedido, bem-vestido, bem-vindo etc):
Ela é a mulher mais bem-vestida da festa.
De todos os que venceram, você é o mais bem-sucedido.
Lucas é o filho mais bem-parecido com o pai.
O gaúcho é mais bem-acostumado com o frio que o carioca.
Quanto mais bem-arrumados mais somos respeitados.
Continue estudando para não ficar “bem frustrado”, como aqueles que na nossa corrida do óvulo deixamos para trás.

acerca de / cerca de / há cerca de / a cerca de

acerca de / cerca de / há cerca de / a cerca de
* Acerca de = sobre / a respeito de. Ex.: O próximo livro será acerca da (sobre a) História de Resende. / Falarei acerca dos (a respeito dos) equívocos históricos.
* Cerca de = aproximação / arredondamento.
Errado: Cerca de 87 pessoas compareceram.
Correto: Cerca de 90 (entre 85 e 95) pessoas compareceram.
Errado: Cerca de 303 alunos foram aprovados.
Correto: Cerca de 300 (entre 295 e 305) alunos foram aprovados.
ATENÇÃO: Quando houver a possibilidade de números fracionados, o arredondamento deve ser pelo inteiro mais próximo. Ex.: O terremoto foi cerca de 8 (entre 7,5 e 8,5) graus na escala Richter. / Está previsto um aumento de cerca de 13% (entre 12,5 e 13,5%) na gasolina. / O novo valor do álcool será cerca de R$ 3,00 (entre R$2,50 e 3,50).
A locução cerca de pode ser utilizada com o verbo haver (há cerca de) e com a preposição a (a cerca de):
* Há cerca = tempo decorrido. Ex.: Ela foi embora há cerca de (ou faz cerca de) duas horas. / Há cerca de dez anos que escrevi meu primeiro livro.
* A cerca = distância no espaço (O avião caiu a cerca de duzentos metros onde estávamos) ou tempo futuro (Estamos a cerca de oito meses das eleições).
HUMOR E LINGUAGEM: A expressão pular a cerca (eufemismo de traição) foi criada por ocasião de éguas de boa linhagem que se acasalavam com cavalos de linhagem inferior, utilizados apenas para estimular o cio, já que os também de boa linhagem não tinham essa capacidade. Depois de estimuladas, aproveitavam o descuido de seus criadores e pulavam uma cerca que as separava dos pacatos sedutores, chamados rufiões, e... “pocotó”. Quando os criadores se davam conta, era tarde demais...

Paradoxos

Paradoxos

Os paradoxos lógicos são raciocínios em que, partindo de enunciados não contraditórios, se chega a conclusões contraditórias, isto é, tanto se pode demonstrar a veracidade como a falsidade de um juízo. Etimologicamente, paradoxo significa algo contrário à opinião (doxa, em grego), isto é, algo que choca com as convicções e opiniões aceites. Por vezes, a palavra paradoxo e «antinomia» são usadas como sinónimos, embora esta palavra esteja mais reservada às antinomias de Kant, isto é, à afirmação de duas proposições contraditórias, mas cada uma das quais defensável racionalmente. Os paradoxos foram já desenvolvidos na antiguidade, tendo ficado célebres os paradoxos de Zenão contra a existência do movimento. Num dos mais famosos (o exemplo de Aquiles, o corredor veloz, e da tartaruga) sustenta que nada se move, pois caso contrário, o móbil deveria alcançar o ponto médio do caminho antes de chegar ao fim. Aquiles nunca conseguirá ultrapassar a tartaruga, desde que, à partida, esta possua alguma vantagem, pois o espaço é divisível até ao infinito.

Ao longo da história têm-se feito várias classificações de paradoxos, assumindo especial importância os chamados paradoxos lógicos e os paradoxos semânticos. De entre estes últimos, o mais conhecido é o paradoxo do mentiroso. Enuncia-se da seguinte forma: um célebre poeta cretense do séc. VI a. C., Epiménides, afirmou: «Todos os cretenses são mentirosos.» Ora, atendendo a que Epiménides é cretense e que todos os cretenses mentem, então quando Epiménides afirma: «Todos os cretenses mentem», afirma uma proposição que é verdadeira. Portanto, Epiménides não mente quando afirma que todos os cretenses (incluindo ele próprio) mentem.

Por consequência, Epiménides mente se e só se não mente (isto é, diz a verdade). Epiménides não mente (isto é, diz a verdade) se e só se mente.

O paradoxo de P. Jourdain é também muito conhecido. Consiste em apresentar num lado de uma folha a inscrição: «no verso desta folha há um enunciado verdadeiro.»