terça-feira, 23 de agosto de 2011

A noção de isotopia

A noção de isotopia
Em Lingüística, "isotopia" (do grego isos, igual, semelhante, e topos, plano, lugar) significa plano de sentido, leitura que se faz de uma frase ou texto. Se, por exemplo, uma frase permite apenas uma leitura, é dita monoisotópica; diisotópica se permite duas; triisotópica, se três; etc.
Dessa forma, em "Ganhei esta caneta do meu pai" e "Nas últimas férias, descansei bastante" temos duas frases monoisotópicas, isto é, cada uma com apenas um significado.
Em "Há muito televisor que precisa melhorar a imagem" e "Ronan, a Márcia chegou com seu pai", cada frase admite duas leituras. No primeiro exemplo, imagem = representação televisionada de pessoas e coisas e também conceito. No segundo, seu = de Ronan ou de Márcia.
Já em "Empresas negam oferecimento de propina", temos frase triisotópica, em que, negam oferecimento = recusam oferecer; desmentem ter oferecido e desmentem ter recebido oferecimento. O mesmo ocorre em "Acadêmicos viram monólitos", em que viram = flexão do verbo ver, de virar-1 (transformar-se) e de virar-2 (mudar de posição). A multiplicidade de planos de sentido é geralmente produzida por homonímia ou polissemia.

É importante notar que o conceito de isotopia pertence à Lingüística - particularmente à Semântica, um ramo seu -, ciência que descreve os fatos da língua sem impor normas nem se preocupar com certo e errado. Assim, para a Semântica, é indiferente se a pluralidade de significados de uma frase ou texto é produzida intencionalmente ou não.
Entretanto, para a Gramática, normativa que é, a duplicidade de sentido será encarada como recurso de estilo se for produzida intencionalmente com objetivos estéticos ou expressivos. Em caso contrário, será considerada ambigüidade, vício sintático, que deve ser evitado.

Termos essenciais da oração

Termos essenciais da oração



Introdução

Chamamos de termos essenciais da oração aqueles que compõem a estrutura básica da oração, ou seja, que são necessários para que a oração tenha significado. São eles: sujeito e predicado.

Encontramos diversas definições do que vem a ser sujeito, tais como:
Sujeito é o elemento do qual se diz alguma coisa.
Sujeito é o ser que pratica ou recebe a ação que o verbo expressa.

Já sobre predicado podemos dizer que é aquilo que se diz sobre o sujeito.
No decorrer deste tutorial veremos a classificação e os tipos de sujeito e predicado.

SUJEITO

NÚCLEO DO SUJEITO

É a palavra (substantivo ou pronome) que realmente indica a função sintática que está exercendo.

Exemplo: O computador travou novamente.
Núcleo

A lâmpada está queimada.
Núcleo

TIPOS DE SUJEITO

O sujeito pode ser:


DETERMINADO

O sujeito é determinado quando é facilmente apontado na oração e subdivide-se em: simples e composto.

a) SIMPLES  quando possui um único núcleo.

Exemplo: o menino quebrou a janela.
Núcleo

Olga aprendeu a tocar violão.
Núcleo

b) COMPOSTO  apresenta dois ou mais núcleos.

Exemplo: Do Carmo e Dirceu cambaleavam pela rua.
Núcleo

O Windows e o Linux disputam o mercado de informática.
núcleo

c) IMPLÍCITO  quando podemos identifica-lo através da desinência verbal.

Exemplo: (eu) Pintei algumas camisas.

(nós) Viajaremos para São Paulo.

INDETERMINADO

Quando não é possível determina-lo na oração.

O sujeito indeterminado apresenta-se de duas maneiras:
1. verbo na 3ª pessoa do plural, sem a existência de outro elemento que exija essa flexão do verbo.
2. verbo na 3ª pessoa do singular acompanhado do pronome SE.

Exemplo: Maria, falaram de você na festa.
Mandaram o pintor concluir o serviço.
Precisa-se de costureiras.

Substantivação - dicas de português importante

Substantivação

Substantivação é recurso de que se valem os falantes da língua para formar novas palavras pelo processo denominado pelos gramáticos de “derivação imprópria”. Por ele, unidades lexicais mudam de sentido – isto é, de emprego no texto – quando, diferentemente do usual, passam a ser determinadas por artigo, numeral, possessivo, etc.

Trata-se de nova palavra porque a forma fônica (seqüência de fonemas), apesar de mantida, associa-se a outro significado. Há também mudança de classe de palavras: o que era adjetivo ou verbo, por exemplo, torna-se substantivo. Nesta condição, o vocábulo substantivado pode, de modo geral, flexionar-se normalmente.

Em princípio, palavra de qualquer classe pode assumir a função substantiva, ou seja, pode-se substantivar e a maneira mais comum de isso ocorrer é a junção a ela do artigo definido “o”. Vejamos alguns exemplos de substantivação de:

Adjetivo – “Belo”, “estudioso” e “rico” são adjetivos em “belo espetáculo”, “aluno estudioso” e “homem rico”. Acompanhados de artigo, porém, transformam-se em substantivos, como em “A estética estuda o belo”, “Os estudiosos não tiveram do que reclamar” e “Os ricos moram ali”. Note que no grau superlativo relativo também aparece o artigo definido, mas isso não configura substantivação. É simplesmente o modo de construção dessa estrutura comparativa: “Carlos foi o melhor do grupo”.
Pronome – Ao juntarem-se artigos e numerais a pronomes, como “eu” e “nosso”, estes se convertem em substantivos ou exercem função substantiva: “A Psicologia interessa-se pelo estudo do eu” e “Esse barco é o nosso”.
Verbo – É muito comum a substantivação de verbos. Veja que em “Quero andar mais depressa”, “Vamos falar francamente” e “Não se trata de ser bom ou ter qualidades” “andar”, “falar”, “ser” e “ter” são nitidamente verbos.
Entretanto, tais palavras mudam de sentido ao tornarem-se substantivos em “O andar dele é característico”, “São vários os falares regionais brasileiros” e “Segue o ensinamento cristão quem se preocupa mais com o ser do que com o ter”.
Numeral – “Dois”, “sete”, “duplo”, etc. podem-se substantivar mediante o acréscimo de artigo, possessivo e mesmo de numeral: “O sete é número mágico”, “Já lhe dei meu dois de copas” e “A ginasta executou dois duplos arriscados”.
Advérbio – Da mesma forma, é corriqueira a substantivação de advérbios, como “bem”, “mal”, “não”, etc.: “Devemos sempre fazer o bem”, “Dos males, o menor” e “Péricles recebeu um não como resposta”.
Preposição – Vêem-se também preposições substantivadas, tais como “de” e “contra”: “Retoque o (vocábulo) de, que ficou apagado” e “É preciso pesar os prós e os contras”.
Conjunção – “O ou não ficou bem colocado aí” e “Só quero saber o porquê”. Como se sabe, “porque”, na função substantiva, é graficamente acentuado. Leia mais sobre isso clicando aqui.
Interjeição – Até as interjeições podem-se transformar em substantivos ao serem acompanhadas de artigos, numerais ou pronomes, a exemplo de “Depois dos vivas, ele apareceu”, “Dois psius ouviram-se durante a prova” e “Ninguém escutava meus ais”.
É necessário levar em conta as seguintes observações em se tratando do processo de substantivação:

Palavras normalmente invariáveis passam a flexionar-se uma vez substantivadas, como “Quantos noves você tem?” e “Alberto levou vários foras”. Observe, porém, que os numerais “dois”, “três”, “seis” e “dez”, mesmo em função substantiva, não se flexionam: “Retire todos os dez do baralho” e “Esses três ficam aqui”.
Uma vez substantivados, muitos vocábulos átonos tornam-se tônicos, isto é, ganham autonomia fonética ao não se necessitarem apoiar em palavras sonoramente mais fortes: “Ela tem um quê de mistério” e “Se não fosse o se...”.
Não se confunda palavra substantivada com substantivos que normalmente são acompanhados de artigo. Desse modo, em “O tigre é felino poderoso”, o artigo não está substantivando nada, já que “tigre” é naturalmente substantivo e assim atua no contexto.
A palavra substantivada pode assumir qualquer função sintática reservada ao substantivo, como sujeito e complemento. Exemplos: “Seu olhar (sujeito) é magnético” e “Quero ouvir um sim (objeto direto)”.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Diferença entre “Em vez de” e “Ao invés de”

Diferença entre “Em vez de” e “Ao invés de”

Entre um papo e outro é comum trocarmos termos. Não há o menor problema nisso, mas, como sempre insisto aqui, na hora de um concurso a coisa não é tão simples assim. Veja a questão, adaptada como exemplo:

01 - (...FGV – Polícia Civil) - “Concluída a fusão dos mercados, em vez de rumar para a integração política e consolidar seu protagonismo na cena mundial, a Europa faz da integração um utensílio da exclusão. (...).” (L.49-54)

A respeito do trecho acima, analise o item a seguir:
I. A expressão em vez de não poderia ser substituída, no trecho, por ao invés de. ( ) correto ( ) errado

EM VEZ DE = em lugar de. Deve ser usada preferencialmente em substituições que não indiquem sentido oposto. Em vez de carro, foi de avião. Em vez de Letras, cursou Direito.

AO INVÉS DE = ao contrário de. Deve ser usada quando se destaca a ideia de oposição. Ao invés de sair, ficou em casa. Ao invés de subir, desceu. Ao invés de falar, calou-se.

Importante - “em vez de” pode substituir a expressão “ao invés de”, mas o contrário nem sempre é permitido, pois a segunda só deve ser usada em caso de substituição por ideia contrária. É por isso que a frase da atendente está incorreta. A moça vai de qualquer jeito, apenas trocou a carona. Oi Ju, bom dia! Em vez de ir com a Lu, vou com você.

Já na questão da FGV a resposta é: (x) errado. Há no texto a ideia de oposição em relação ao uso que a Europa faz da integração política, portanto, pode sim haver a substituição. Ao invés de “rumar para a integração (...) a Europa faz da integração um utensílio da exclusão”.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Sujeito indeterminado - português para concurso

» Sujeito indeterminado - português para concurso
IX. Sujeito indeterminado
Sujeito indeterminado é aquele não pode ser identificado, pois não é possível defini-lo.

Existem dois casos que ocorre o sujeito indeterminado:

- quando o verbo está na 3ª pessoa do plural e não estabelecendo relação com nenhum substantivo antecedente.

Exemplo:

• Anunciaram a chegada da noiva.
• Chegaram cedo hoje.

- quando os verbos intransitivos, transitivos indiretos ou os verbos de ligação forem seguidos da palavra se, que é denominada o índice de indeterminação do sujeito (IIS).

Exemplo:

• Precisa-se de professores. (VTI)
• Vive-se feliz. (VI)
• Vende-se um fogão. (VTD)

USO DO GERÚNDIO - assunto que cai em concurso público

USO DO GERÚNDIO - Assunto que geralmente cai em prova de concurso público


Não devemos usar o gerúndio para reforçar a idéia de progressividade no futuro. Vejam alguns exemplos:



Eu vou estar estudando o projeto de lei.



Estaremos transferindo a quantia amanhã.




A frase adequada é:




Transferiremos a quantia amanhã.



É um problema o emprego do gerúndio, tanto que alguns escritores evitam empregá-lo. Ele constitui uma oração subordinada adverbial e, de certo modo, uma função adjetiva. Para ser bem empregado, o gerúndio deve estar o mais perto possível do sujeito ao qual se refere.



Exemplo:



Vi teu filho nadando.



Nadando, vi teu filho. (o sentido é diferente)



O gerúndio traz vários significados diferentes. Abaixo alguns exemplos:



» Gerúndio modal: Chegou alegrando o ambiente.



» Gerúndio temporal. Indica contemporaneidade entre a ação expressa pelo verbo principal e o gerúndio: Vi Henrique conversando.



» Gerúndio durativo: Ficou escrevendo seu livro.



» Gerúndio cuja ação é imediatamente anterior à do verbo principal: Estudando, passou no vestibular em primeiro lugar.



» Gerúndio concessivo: Chovendo, não iria à festa.



» Gerúndio explicativo: Vendo que a suspensão não funcionava, o piloto chamou o mecânico.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O uso do artigo - assunto que cai em prova de concurso

Artigo - assunto que pode cair em prova de concurso público e vestibular

I – emprega-se o artigo definido em:

a) nomes próprios geográficos.

Exemplo:

A Argentina O Rio de Janeiro as Canárias

Observação:

Alguns nomes próprios geográficos não aceitam o uso do artigo.

Exemplo:

Portugal Minas Gerais

b) antes de nomes de pessoas que denotem intimidade.

Exemplo:

A Rita viajou para Portugal.

A Roberta passou no vestibular da UFPE.

c) depois do pronome indefinido todos e do numeral ambos(as).
Exemplo:

Todos os professores responderam à pesquisa.

Ambos os pilotos recusaram-se a correr hoje.

d) para substantivar qualquer palavra

Exemplo:

O jantar estava uma delicia.

II – geralmente, não se usa o artigo definido nos seguintes casos:

a) antes de pronomes de tratamento

Exemplo:

Vossa Senhoria errou numa hora imprópria.

Vossa Excelência recebeu nosso recado?

No caso dos pronomes de tratamento excetua-se senhor (a).

Exemplo:

A senhora vai ao cinema?

O senhor não foi feliz no comentário.

b) antes do nome de pessoas que não denotam intimidade

Exemplo:

Marcos conseguiu consertar o computador.

c) antes da palavra casa quando designa a residência que fala ou de quem se trata.

Exemplo:

Ficou em casa o dia todo.

d) depois do pronome relativo cujo e variações

Exemplo:

Esse é o problema cuja resolução está complicada.

O troféu, cujo título nós disputamos, foi roubado.

III – geralmente usamos o artigo indefinido antes de numerais que exprimem aproximação.

Exemplo:

Caruaru fica a uns 120 quilômetros do Recife.

Ricardo deve pesar uns 100 quilos.